À medida que a temperatura começa a baixar, não são apenas os humanos que sentem frio. Os nossos companheiros de quatro patas também são afetados pela chegada do inverno. Há quem acredite que roupinhas e banho com água quente sejam mimos exagerados, mas especialistas alertam que, na estação mais fria do ano, os bichinhos precisam de atenção especial.

— Cachorros de pequeno porte, como pinschers e chihuahuas, têm menos massa muscular e gordurosa, por isso, acabam sofrendo mais com o frio e precisam ser agasalhados. Os cuidados também devem ser redobrados em se tratando de filhotes e cães idosos porque essas são as duas faixas etárias mais vulneráveis a doenças durante o inverno — explica a veterinária Juliana Milan.

Quanto maior a pelagem do animal, mais protegido ele estará. Nesses casos, não é necessário vestir o pet. Apesar disso, nem mesmo os amigos mais peludos devem ficar expostos às mudanças bruscas de temperatura.

— Logo depois do banho, evite levá-los para a rua. O recomendado é aproveitar as poucas horas de sol durante o dia para fazer o passeio. Se o tempo estiver chuvoso, deixe-os abrigados dentro de casa. Do contrário, cresce o risco de apresentarem rinite, pneumonia e otite — adverte Juliana.

Vale lembrar que gatos, embora sintam mais frio, têm maior senso de preservação, saindo em busca de fontes de calor e se entocando em locais protegidos. Já os cães são menos independentes e precisam da ajuda dos donos para suportar o clima. Fique atento e não espere eles demonstrarem desconforto para agasalhá-los.

Sempre quentinhos e imunizados

Na casa da aposentada Maria de Fátima Genro Cony, 61 anos, as vira-latas Gabi, 13 anos, e Baleia, seis anos, desfilam modelitos confortáveis de inverno todos os anos. As duas cachorrinhas também são sempre imunizadas com a vacina contra a gripe. Mesmo assim, já padeceram de doenças respiratórias, como a pneumonia.

— Eu noto que elas sentem muito frio porque estão sempre tentando entrar no meio das cobertas na minha cama. Por isso, também evito fazer a tosa — conta a tutora.

Já as outras moradoras da casa, as gatas Boo, oito anos, e Duda, 10 anos, demonstram muita resistência e não se deixam agasalhar. Apesar disso, quando a temperatura cai, os quatro pets se comportam da mesma forma: com muito mais preguiça e apetite.

Como proteger seu bichinho do frio

Roupas: são bem-vindas, mas evite os tecidos sintéticos, lãs e tricôs, pois podem causar alergias. Prefira os agasalhos de algodão ou malha macia. Preste atenção se a peça está no tamanho certo, sem apertar principalmente as axilas e as virilhas do seu bichinho, pois pode provocar fricções.

Sapatos: a menos que costume nevar ou gear em sua região, não são recomendados porque atrapalham o tato nas patas e são bastante incômodos.

Banho: com a umidade característica do inverno, o melhor é levar o seu animalzinho em uma pet shop, já que eles precisam ser escovados e secados corretamente para não apresentarem fungos, que causam doenças na pele. Evite banhos em dias muito frios e, se possível, diminua também a sua frequência. Se optar por realizá-los em casa, use água morna e seque-o bem. Depois do banho, deixe-o em casa para que não sofra com a mudança brusca de temperatura e o choque térmico.

Tosa: mantenha a pelagem do animal mais comprida e adie o corte para depois do inverno.

Vacinas: as que previnem a gripe e a traqueobronquite, por exemplo, são indicadas para todas as faixas etárias. Converse com um médico veterinário para obter orientações adequadas antes de imuzinar seu bichinho.

Alimentação: as porções não devem ser alteradas, pois no inverno os animais adotam hábitos e comportamentos mais sedentários — dormem mais e se movimentam menos. Portanto, não superalimente o seu melhor amigo para que ele não corra o risco de ter sobrepeso.

Casinha: deve ser colocada em um local abrigado, sem correntes de ar e protegida da chuva para que o pet possa permanecer do lado de fora para se exercitar e comer. Forrar o chão com jornal, papelão ou cobertor para evitar o contato direto das caminhas junto ao piso também pode ser uma boa solução. Além disso, pode-se utilizar cobertores e edredons para proporcionar mais conforto.

Fonte: veterinária Juliana Milan